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Eu sou pobre e necessitado

“Eu sou pobre e necessitado…” (Salmos 40,17 – NTLH).

É difícil para todo ser humano, especialmente quando não se trata de recursos materiais, admitir “sou pobre e necessitado”. Quando se trata de recursos financeiros, isso não é tão difícil. Muitas pessoas são realmente pobres e passam por diversas privações e necessidades. Algumas pessoas não são literalmente pobres, mas por não saberem administrar seus recursos, geralmente estão “apertadas” financeiramente e, conseguintemente, tornam-se “necessitadas”.

No entanto, não é tão fácil admitir, por exemplo, que se é pobre de conhecimentos, “cultura” ou linguagem. Também não é fácil admitir a pobreza de virtudes ou habilidades. Porém, é mais difícil ainda admitir a pobreza de “espírito”. E uma das razões para esta dificuldade é que as pessoas não entendem bem o que seja essa pobreza de espírito. Para algumas pessoas, essa pobreza equivale à pobreza intelectual ou “cultural”, pois tomam “espírito” com aquela parte do ser humano que se inclina às artes, à literatura, etc. Para outros, ela significa simplesmente falta de criatividade. E muitas outras pessoas acham que significa falta de ânimo. Mas não é este o sentido dado pelo salmista à pobreza e à necessidade, em paralelo com a expressão usada por Jesus nas bem-aventuranças (Mateus 5, 3).

Para o salmista, ser pobre e necessitado é uma questão, primeiramente, de reconhecimento. Ele reconhece que, independente de ter muitos ou poucos bens, nada lhe pertence de fato e que de uma hora pra outra ele pode perder ou ganhar tudo, pois ele entende que existe um Ser pessoal e que governa todas as coisas, que tem poder para inverter situações: “Dá fartura aos que têm fome e manda os ricos embora com as mãos vazias” (Lucas 1,53 – NTLH). Esse reconhecimento de que a vida não lhe pertence, de que as “coisas” não são eternas e que tudo pode mudar de uma hora para outra, e que Deus é o único que está no controle de tudo, e que nada lhe escapa aos olhos, produz este reconhecimento de que, na exata essência de nosso ser pecador, nós somos pobres e necessitados. Nada nos pertence eternamente – exceto Deus – e o que temos agora não é digno, nem de longe, de um pouco da nossa confiança.

Em segundo lugar, ser pobre e necessitado tem a ver com a nossa condição diante de Deus. Essa pobreza é espiritual: não temos, em nós mesmos, nenhum bem. Somos pobres de bem em seu sentido máximo. Conhecemos o bem e o mal, mas temos predileção pelo mal – tanto em suas pequenas como em suas grandes proporções. Somos pobres de Deus e de Suas virtudes. Somos pobres em amor e bondade. Somos pobres no desfrute da graça, da misericórdia e das bênçãos de Deus. Temos necessidade de Deus, de Suas virtudes, de Seu amor, bondade, misericórdia, graça e bênçãos. Paulo, o apóstolo, descreveu essa situação assim: “Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus” (Romanos 3,23 – NTLH).

Apesar de toda a nossa pobreza e necessidade, há boas notícias! Jesus disse: “Felizes as pessoas que sabem que são espiritualmente pobres, pois o Reino do Céu é delas” (Mateus 5,3 – NTLH). A esperança para os espiritualmente pobres e necessitados, ou seja, para quem reconhece que precisa de Deus e de tudo que Ele é, tem e representa. Aqueles que se reconhecem pobres e necessitados espiritualmente podem se considerar felizes, pois a elas Jesus oferece o Reino dos Céus, onde todas as delícias de Deus estão ao alcance da fé de quem crê em Cristo. O Reino dos Céus não é simplesmente a morada divina; antes, é um estado e uma condição, nas quais adentramos pela fé em Jesus Cristo. Receber o Reino dos Céus é receber todas as possibilidades que há em Cristo – toda fartura e plenitude de vida, alegria e amor. Entrar no Reino dos Céus é entrar no Reino de Jesus, é ter acesso às infinitas delícias que só existem na Pessoa de Cristo – a solução, a realização e a satisfação plena e eterna de todas as nossas necessidades, carências, faltas, defeitos e pecados.

Felizes as pessoas que sabem que são espiritualmente pobres…”, pois são elas que reconhecem a sua necessidade de Deus e, assim, dão o primeiro passo para alcançar a fonte eterna de todos os suprimentos para suas necessidades vitais e essenciais. O segundo passo é a fé que nos leva a abandonar-nos nas mãos de Jesus, a entregarmos tudo a Ele, e O abraçamos como nossa vida, satisfação, realização, enfim, nosso tudo.

Eu sou pobre e necessitado. Eu preciso de Deus. E eu sou feliz por isso.

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