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Sinais e Sabedoria ou Escândalo e Loucura? – Parte 2

Hoje em dia nós temos centenas de pessoas indo aos “cultos de milagres” e sendo abençoadas. Porém, muitas delas apenas se convertem à igreja, mas não a Cristo! Eles encontram o “Cristo miraculoso”, mas não o Filho de Deus, o Salvador de seus pecados. De fato, muitas igrejas não pregam mais o Cristo Redentor, apenas um abençoador. A salvação é apenas um cupom que dá à clientela igrejeira a chance de concorrer aos grandes prêmios (milagres) das promoções religiosas do dia.

E esse mercado público evangelical tem seu maior campo de atuação na TV. Há diversos canais de TV que são de propriedade dos mais diversos grupos e igrejas evangelicais, além dos muitos programas oferecidos em outras emissoras. E há programas para todos os gostos – música, teatro, infantil, culinária, “moda evangélica”, debates, notícias, etc. E, certamente, há pregações e cultos de milagres. Qualquer um pode receber uma cura, uma libertação, um milagre pela TV. Basta sintonizar no canal certo e na hora certa. É claro que também há apelos veementes para que você coopere generosamente para manter os programas no ar e, assim, colher os frutos desse investimento.

Eu não sou contra o uso dos mais diferentes métodos de proclamação evangelística, mas não é preciso ser muito inteligente para perceber que a mídia televisiva está muito mais preocupada com a embalagem do que com o conteúdo. Ela quer atrair o maior número possível de telespectadores para que vejam os anúncios de seus anunciantes, que pagam bem para que seus produtos sejam vistos por milhares de pessoas.

E esse tipo de mídia tem seus próprios requisitos. Você não pode se apresentar na TV de qualquer maneira. Você tem que ser uma pessoa bonita ou, pelo menos, bem apresentável. Você não pode ser feio, ainda que fale bem e tenha conteúdo. Você tem que se vestir bem. Você tem que ter um corte de cabelo “da hora” (e se for “meio” careca como eu, você não vai se sair nada bem!). A música tem que ser apresentada em formato de show com luzes mirabolantes, dançarinos e toda a parafernália e pirotecnia moderna.

E para quê? Geralmente se diz que é para oferecer o “melhor a Deus”. Mas isso leva à seguinte pergunta: pra que é que Deus quer isso? Qual é a utilidade disso para Deus? Se Ele é “espírito”, como Jesus afirmou, e espera que O adoremos em “espírito”, como é que toda essa materialidade vai servir pra Deus? E o versículo que diz que Deus não considera a aparência, mas sim o coração?

Os mais honestos dizem que a supervalorização da aparência no meio evangélico é para atrair as pessoas para ouvir o evangelho. As pessoas “do mundo” não virão ouvir a mensagem se não forem atraídas por coisas altamente planejadas, pois o mundo oferece coisas bastante atraentes e nós temos que competir com ele de igual para igual. Tudo bem, eu entendo. E, como já mencionei, eu não sou, necessariamente, contra nenhum método evangelístico. Não sou contra o uso de rock, de dança ou outras coisas “modernas” na evangelização. Porém, o que estou criticando é a nossa atual dependência dessas coisas para cumprirmos nossa missão, quando na verdade, elas não têm, essencialmente, nada a ver com nosso chamado e papel nesse mundo.

O problema é que o uso dessas coisas tem sido acompanhado por uma mudança de princípios, valores e crenças que estão, cada vez mais, substituindo as crenças, princípios e valores cristãos. Assim, ao nos dedicarmos tanto em “dar o melhor para Deus”, apenas temos glorificado o homem caído. Ao fazermos uso maciço de vários elementos de atração de massas na adoração, nas reuniões cristãs, na pregação, etc., nós temos diluído o evangelho e os valores cristãos. Nós temos canalizado nossos esforços para coisas que, no final das contas, não produzem sequer os resultados que eram pretendidos ao utilizá-las.

Portanto, para mim, o crescimento de métodos de atração na evangelização só comprova uma coisa: o nosso fracasso em vivermos e anunciarmos o evangelho com os recursos que foram divinamente dados à igreja. Tais recursos – oração, dependência do Espírito Santo, vida reta, proclamação, etc. – sempre funcionaram com o cristão corajoso o suficiente para tentar seguir o exemplo de Cristo – um cristão que prefere o escândalo e loucura da cruz aos “sinais e maravilhas” metodológicas, psicológicas e tecnológicas dessa geração.

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