O Evangelho e a Sociedade Entorpecida
Hoje de manhã eu vi duas cenas chocantes. Uma foi o apelo de um pai realmente indignado pelo assassinato de seu filho de quase 4 anos de idade por policiais, no Rio de Janeiro, que fuzilaram o carro da mulher dele, onde se encontravam, além dela, duas crianças. O bebê de 9 meses nada teve e ela ficou ferida com os estilhaços, mas a criança maior foi atingida na cabeça e veio a falecer no hospital. O que me chocou, principalmente, foi o fato de os policiais não terem dado a menor chance para que quem estivesse no carro se entregasse. Eles simplesmente atiraram no carro crendo que se tratava de criminosos que fugiam. Com razão, o pai desabafando na TV, falou contra a falta de preparo dos policiais e criticou a “sociedade podre” onde este tipo de barbárie acontece freqüentemente.
Logo em seguida, eu vi o vídeo de uma jovem espancando outra em uma escola (batendo com brutalidade a cabeça da moça contra o chão) enquanto outros estudantes assistiam sem fazer nada. E por que tanta violência? Porque a estudante mais antiga, a que espancou a outra, queria mostrar para a mais nova “quem é que mandava no pedaço!”
Antes disso, em relação à morte de um jovem pelo segurança de uma promotora, um dos líderes do movimento Viva Rio também falou indignado, criticando o fato de as pessoas passarem até 15 horas na fila de um estádio para comprar ingressos para um jogo, de gastarem horas dançando e festejando, enquanto assistem passivamente à incontrolada onda de violência que assola o Rio de Janeiro, e há tempos!
É verdade. Parece que nos acostumamos com o que acontece ao nosso redor. Parece que não nos incomodamos realmente com os crescentes males de nosso mundo. É gente arrastando crianças pelas ruas, enquanto outras atiram os próprios filhos pela janela do apartamento. É criança sendo violentada por gente religiosa; é policial atirando em inocente. É uma jovem sendo espancada brutalmente por outra. É outro sendo morto por um segurança… E isso tudo é apenas o que ganha destaque na TV!
Nossa sociedade está entorpecida. Ela assiste a tudo com indiferença; e quando raramente fica indignada, não faz nada de concreto para mudar a situação. Ao refletir sobre isso, lembrei-me que a sociedade é formada por indivíduos. Então, lembrei-me de algo que li de um sociólogo, não recordo quem, sobre a necessidade de investigar o que “a sociedade faz de nós e o que nós fazemos de nós mesmos”. Falar da sociedade, como um objeto exterior, distante de mim mesmo, é fácil. Mas eu preciso lembrar que também faço parte da sociedade. Eu preciso lembrar que não sou obrigado a ser o que a sociedade quer fazer de mim. É claro, não nego que sou influenciado por ela, mas somente na medida em que me permito ser. É hora dos indivíduos começarem a fazer algo com eles mesmos, pois assim haverá melhores chances de se fazer algo pela sociedade.
Podem me chamar de utópico e até de fanático – não importa. Mas, religião à parte, o evangelho ainda é a única solução para o mundo. É somente pelo poder transformador do evangelho que a humanidade pode encontrar a verdadeira e permanente paz, justiça e felicidade. Porém, isso não significa passividade; não significa ver “a banda passar”; não significa ver “tudo isso acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos”. Significa mover-se e empreender esforços concretos para, pelo menos, conscientizar a sociedade sobre onde está a saída. Por favor, não estou falando de uma saída “religiosa”. Estou falando de algo que transcende o religioso e promove, com efetividade, a transformação do indivíduo, pois sem esta, não haverá uma verdadeira transformação da sociedade. Estou falando do evangelho e de seu poder transformador. Aquele que o abraça, verdadeiramente se encontra com a vida real, e abraça uma missão – transformar o mundo pelo mesmo instrumento que o transformou.
Eu também fico indignado com nossa passividade. Eu também acredito que a sociedade precisa se envolver e participar mais ativamente da solução dos problemas sociais. Mas isso deve começar comigo e com você. Mas sem ilusão: não podemos esperar mudanças sociais reais, duradouras e que beneficiem realmente a sociedade, sem o evangelho.
A história mesma testemunha que o evangelho tem esse poder transformador, pois vários países, entre eles a Inglaterra, saíram do caos social “simplesmente” porque abraçaram o evangelho. Isso não é ilusão; é a realidade de Deus. E quem abraça essa realidade, não vive apenas para ver a história – vive para fazer história.
Evaristo, Seu artigo está demais. Estou escrevendo algo sobre o poder transformador do evangelho e me sentir honrado em saber que posso contar com este artigo para uma reflexão sobre minha responsabilidade diante dos problemas que nossa sociedade enfrenta. Parabéns! ´
OBS: Se possível, mande-me algum outro artigo que escrever, pois, sou professor de história e gosto ler bastante. Obrigado.