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Cristianismo que funciona

E Homer Simpson sai com mais uma de suas brilhantes pérolas: “… Você sabe, aquela [religião] com todas as regras importantes que não funcionam na vida real, uh, o Cristianismo!”.

Eu tenho visto muita gente pensar exatamente como o Homer – o cristianismo está cheio de idéias geniais, porém, que não funcionam na vida real. Por exemplo, seria genial “dar a outra face”. O problema – dizem – é que as coisas hoje em dia estão de uma maneira tal que se você der a outra face apenas uma vez vai virar o saco de pancadas de todo mundo e pra sempre! E tem também o lado negativo, por exemplo, a condenação da mentira por parte do cristianismo. Tem gente que conta todo tipo de mentira – e acha isso plenamente válido – para manter o emprego, o casamento, os amigos, ou passar na escola, etc. É um “mal necessário” – filosofam. Daí que – eles concluem – a alta moral do cristianismo, que condena a perversidade da mentira e do engano, não se aplicaria mais ao mundo contemporâneo com toda a sua relatividade e competitividade.

Eu concordo que grande parte do cristianismo institucional é irrelevante para o mundo de hoje. Concordo também que os elevados princípios desse cristianismo institucional não funcionam na vida real. No entanto, há outro cristianismo – baseado na vida e ensinamentos de Cristo conforme as escrituras cristãs – que funciona, e muito bem, no mundo de hoje. Porém, o grande problema não é a relevância dos valores cristãos em um mundo altamente anticristão, mas sim se é possível encontrar alguém com coragem suficiente para vivê-los hoje em dia.

Não digo que é fácil, mas não é impossível ou penoso. É possível se relacionar bem com a sociedade, se divertir, gozar a vida, transitar livremente entre os não cristãos sem deixar-se “contaminar” por eles. O hebreu Daniel (aquele da cova dos leões) é um exemplo disso. Ele foi uma espécie de diplomata na Babilônia, um país idólatra, cruel e imoral (pelo menos na visão escriturística). Porém, ele jamais se deixou influenciar pelos valores daquele lugar. Ele esteve na alta corte, assumiu um papel político elevado, e ainda assim permaneceu firme em seus princípios e valores teocêntricos.

E não foi diferente com o próprio Jesus. Ele descendia da família real judaica, porém, ele aceitou a condição de uma vida mais simples, longe do poder político, longe das riquezas e luxúrias da realeza hebraica. Ele jamais reivindicou seu direito humano de ser o Rei dos Judeus. Ao contrário, apregoava que Seu Reino não era deste mundo. Em linguagem corrente, Ele “estava em outra”.

Jesus convivia diariamente com os chamados “pecadores” de sua época – gente da pior espécie. Ele sentava, conversava e comia na presença de ladrões de colarinho branco, prostitutas e bêbados. Ele estava perto desse tipo de gente, oferecendo seu amor e a esperança de uma vida diferente. Sua mensagem redentora se dirigia a todos, porém, foram os “piores” da sociedade que O receberam e à Sua mensagem. E todos esses tiveram suas vidas radicalmente transformadas – e para sempre!

Todo aquele que se uniu a Ele pela fé e adotou a Sua visão do mundo, e Seu estilo de vida, foi capaz de viver em meio a uma sociedade anticristã sem comprometer seus valores e princípios. Ainda hoje nós podemos encontrar esse tipo de cristão: aquele que convive normalmente com os não cristãos e cristãos nominais (apenas no nome), e ainda assim é capaz de viver o evangelho em sua plenitude, com prazer, sabendo que o mundo de Deus não é feito de comida nem bebida, ou de carro novo, ou de ideologias, mas sim de alegria, paz e justiça trazidos à realidade somente pelo Poder transformador de Deus.

As “regras importantes” do cristianismo escriturístico funcionam na vida real, sim, meu caro Homer Simpson. Elas têm funcionado na minha vida e na vida de milhares que estão inclinados à eternidade, apesar de serem simplesmente humanos – fracos, falhos e pecadores – mas que têm coragem suficiente para assumir a fé em Cristo, o evangelho de Cristo e ao próprio Jesus em meio a uma sociedade cada vez mais caótica. O cristianismo escriturístico funciona sim; ele é relevante sim; e é vitalmente necessário para que o ser humano encontre o verdadeiro, completo e eterno sentido da vida.


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