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Alimenta-te da Verdade

O Salmista recomenda (Salmo 37.4) que nos alimentemos da verdade. Se compararmos essa recomendação com a situação caótica da cristandade em nossos dias, especialmente no segmento evangelical, cuja grande maioria de seus representantes reivindica ser o único representante legítimo de Deus na face da terra, acho que tem muita gente fazendo regime ou literalmente passando fome. O evangelical de nossos dias parece mais com as modelos magricelas da Fashion [esquelética] Week. Ele está mais para um boi magro do que boi gordo; mais pra coiote do que leão. É o autêntico “passa fome” evangelical!

O evangelical passa fome da verdade porque não são muitas as igrejas de hoje que alimentam seus fiéis com a Revelação de Deus em sua pureza – ela sempre vai diluída com doutrinas de homens, teologias altamente duvidosas, moral hipócrita e fundamentações empíricas mistificadas. Bíblia, que é bom, é só pra dizer que tem. É claro, fala-se muito da Bíblia e várias de suas passagens são citadas, mas será que são citadas em verdade? Será que é a Bíblia que tem sido pregada nos púlpitos das igrejas? Ou o que ouvimos  não passa de opiniões do clero misturadas com técnicas de auto-ajuda e motivacionais a moda de Lair Ribeiro?

Nós precisamos urgentemente de um retorno à mesa farta da Revelação escrita de Deus, rejeitando os “transgênicos” espirituais que temos por aí! Ainda dá tempo de virar o jogo; ainda dá tempo de devolver o genuíno leite espiritual à mesa dos cristãos. Mas é preciso firmeza, pois não é somente no mundo “secular” que a verdade escriturística perdeu sua relevância. Isso tem acontecido em grande medida no cristianismo também. Muitos preferem se alimentar de mensagens que massageiam seus desejos pecaminosos. Há quem prefira uma boa “picanha” de mentiras do que uma saudável salada da verdade. Mas o que alimenta verdadeiramente o cristão é a verdade, não sermões bonitos e pomposos que não dizem nada. Ou antes, dizem sim: um monte de besteiras!

É por isso que muitos jovens, quando entram na faculdade, desistem de ser cristãos. Eles foram mal alimentados a vida inteira por seus pais e líderes cristãos; então, quando chegam à universidade são expostos a um banquete de afirmações que põem em dúvida a veracidade e autoridade das escrituras e de Deus. E eles não sabem como responder ou como lidar com tal situação. Muitos, então, se tornam cristãos apáticos, estéreis, ou se “desviam do caminho”. E não adianta colocar toda a culpa neles, não. A responsabilidade é dos pais e dos líderes cristãos, que deveriam deixar um pouco de lado o formalismo de suas reuniões frias e anti-intelectuais, e alimentarem o povo, especialmente os jovens, com a verdade autoritativa da Revelação escrita de Deus.

Contudo, não com frases de efeito e promessas vãs, mas com uma verdade transmitida com fundo espiritual e racional ao mesmo tempo. E isso se faz com a ajuda do Espírito que unge, que ilumina e aplica a Revelação escrita ensinada de maneira racional, coerente, hermeneuticamente bem desenvolvida, teologicamente embasada. É com a verdade pura da Palavra de Deus, levada à boca do povo por uma pregação coesa e efetiva, que se alimenta o cristão.

Temos que dar atenção à recomendação do salmista – “alimenta-te da verdade” – antes que seja tarde demais. Você vai continuar passando fome ou prefere o banquete espetacular que Deus lhe oferece na revelação de Seu Filho? Você vai se contentar com as migalhas que caem dos púlpitos das igrejas, lançadas ao chão por pastores e líderes sinceros, porém, medíocres? Ou vai buscar a rica nutrição da Palavra de Deus? E você, pregador? Vai continuar falando “abobrinhas” ou vai pregar a verdade de Deus? Você está mais preocupado em atrair multidões e engordar as finanças da sua igreja ou em alimentar espiritualmente o povo de Deus?

Precisamos ser mais exigentes com o que comemos – intelectual e espiritualmente. Se não, vamos acabar obesos de religião, mas desnutridos de Deus!

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