Jesus de Nazaré, o Messias
Como é bom meditar nas glórias de nosso Senhor! O conhecimento de Sua adorável e adorada pessoa não tem fim. Nós poderíamos dedicar uma vida inteira, dia e noite, a meditar em Seu ser e obra e jamais conheceríamos o suficiente para saciar a nossa sede e a nossa fome Dele. Quão maravilhoso é o nosso Senhor Jesus Cristo!
Entre os riquíssimos aspectos de Seu ser maravilhoso, a Bíblia nos revela que Jesus de Nazaré é o Messias. Os demônios reconheceram claramente a Sua identidade e O temeram (Marcos 1.24). O cego Bartimeu também reconheceu que Ele tinha poder para realizar aquilo que um mero homem não seria capaz de fazer e clamou pela ajuda de Jesus de Nazaré, o Filho de Davi (Marcos 10.47), uma afirmação evidente de que ele reconhecera a Jesus como o Messias prometido no Antigo Testamento. O apóstolo Pedro deixou claro aos israelitas que “Jesus de Nazaré foi aprovado por Deus diante de vocês por meio de milagres, maravilhas e sinais que Deus fez entre vocês por intermédio dele, como vocês mesmos sabem” (Atos 2.22), assim, as provas de Sua identidade messiânica não poderia e não deveria ser contestada por eles.
Quando Paulo ainda era um fariseu, ele cria que existia um ser celestial, o Filho do Homem de Daniel 7.13, e que este se manifestaria para libertar o seu povo de seus pecados. O mundo, para o jovem fariseu Paulo, estava arruinado e somente o Messias seria capaz de salvá-lo. Quando o Messias aparecesse, os mortos ressuscitariam e traria o julgamento final e a Jerusalém celestial a este mundo, na qual os justos seriam eternamente abençoados.
Contudo, era difícil para o fariseu Paulo aceitar que aquele Jesus de Nazaré era o Messias prometido. Certamente ele conhecia alguma coisa sobre a mensagem dos primeiros discípulos acerca de Jesus (2 Coríntios 5.16). Mas, para ele, aquele novo partido (a igreja) não passava de um bando de malucos, pois a mensagem deles não faria muito sucesso entre os judeus fiéis. Afinal de contas, quem creria num bando de homens da Galiléia, sem formação rabínica, afirmando que Jesus de Nazaré era o Messias prometido? E mais, os discípulos pregavam que Ele havia morrido e ressuscitado e estava assentado à direita de Deus, de onde havia enviado o Espírito Santo, o qual era também aguardado pelos judeus fiéis. Os discípulos de Jesus de Nazaré interpretavam a Sua morte em termos de Isaías 53, como um resgate pela nação de Israel.
Outra dificuldade para Paulo era que Jesus de Nazaré havia ido contra as tradições do seu partido e tinha feito uma re-interpretação da lei (Mateus 5) que, sem dúvida alguma, bem diferente do que ele havia aprendido e crido. Para piorar a situação, Jesus havia sido pregado no madeiro, algo amaldiçoado pela Lei (Gálatas 3.13 com Deuteronômio 21.23). Como aquele homem poderia ser o Messias se Ele foi amaldiçoado? – o jovem fariseu se perguntava.
No entanto, apesar de suas dúvidas, Paulo certamente havia sido ‘fisgado’ por Jesus (Atos 9). Muitos anos após a sua conversão, Paulo recorda que Jesus se revelou a ele como “Jesus, o Nazareno” (Atos 22.8; ver também 26.9). O encontro de Paulo com Jesus não deixara dúvidas sobre quem Ele era. E o ex-fariseu, agora convertido a Jesus, passou a testemunhar aos seus patrícios que aquele Jesus de Nazaré era o Cristo (O Messias – Atos 18.5, 28).
Quando Ele começa a escrever às igrejas que plantara, o agora apóstolo Paulo invariavelmente ensina que Jesus é o Cristo, o Escolhido de Deus para realizar todas as promessas que Deus havia feito ao Seu povo no Antigo Testamento. Porém, Paulo vai além de afirmar que Jesus é o Cristo, o Messias, o Filho do Homem escolhido e enviado por Deus para salvar a humanidade do pecado (e de si mesma). O Messias era mais do que um homem escolhido por Deus, por mais glorioso que isso pudesse ser. O Messias, o Cristo de Deus, era o próprio Filho de Deus (Romanos 8.32; Gálatas 4.4), o primogênito de toda a criação (Colossenses 1.15), Aquele que existindo em forma de Deus assumiu a forma de homem (Filipenses 2.6). O Messias Jesus é mais do que um mero homem! Ele é Deus encarnado! Aleluia!
Como essa verdade afeta ou deveria afetar as nossas vidas?
Primeiramente, ela nos afeta quanto à nossa salvação, pois nós sabemos que ela foi efetuada pelo Messias, o salvador de nossos pecados e, portanto, estamos eternamente seguros Nele (João 6.3; 10.27-29). O Messias Jesus é o nosso Senhor Jesus. Ele é o Cristo, o Ungido de Deus, quem nos sela com o Espírito Santo como propriedade de Deus (2 Coríntios 1.21-22; Efésios 1.13-14). Não há porque duvidarmos de Sua capacidade, poder e autoridade para nos salvar eternamente. Não somos salvos pelos nossos méritos, mas por causa dos méritos Dele. Não temos justiça ou santidade própria; não podemos redimir a nós mesmos. Ele, Jesus de Nazaré, o Messias, é a nossa justiça, santidade e redenção (1 Coríntios 1.30), mostrando de uma vez por todas a sabedoria de Deus em glorificar a Si mesmo e proporcionar aos homens tudo aquilo que somente é possível por meio do Seu Messias.
Em segundo lugar, esta verdade nos afeta quanto ao desfrute das bênçãos que são nossas em Cristo Jesus. “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo [isto é, no Ungido, no Messias, por causa de nossa união com Ele]“ (Efésios 1.3). Por meio do Messias e por causa de nossa união com Ele pela fé, nós temos à nossa disposição tudo o que Ele nos proporcionou mediante a Sua morte, sepultamento, ressurreição e glorificação. No Antigo Testamento, o Messias era a solução para todas as necessidades mais profundas do ser humano. E por meio de Sua morte e ressurreição, Jesus Cristo tornou disponível a todos, especialmente aos eleitos, as riquezas da glória de Sua graça, de maneira que agora podemos ser supridos com tudo o que necessitamos para vivermos de verdade e em piedade. Assim, nós podemos hoje desfrutar Dele como o nosso tudo.
Eu sei que muitas têm se apressado em converter as bênçãos espirituais em bênçãos materiais, mas o texto e o contexto de Efésios 1.3 é muito claro. A palavra “espiritual” não indica apenas a origem, mas também a natureza e o modo como somos abençoados em Jesus, o Messias. Nele fomos e somos abençoados com a predestinação, com a adoção de filhos, com o perdão e libertação do poder do pecado, com o selo do Espírito e somos participantes de Seus planos glorioso. Nós temos sido feitos para louvor da glória de Deus em Cristo Jesus. E isso tudo é apenas uma ‘tiquinho’ de toda a nossa herança Nele, na qual o foco sempre é o espiritual e o eterno.
Em terceiro lugar, isso nos afeta quanto ao nosso foco. A meta principal da vida cristã é conhecer a Cristo, pois esta é verdadeira vida eterna (João 17.3; Filipenses 3.7-10). Tal conhecimento é maravilhoso e por ele vale a pena perdermos tudo. Nenhuma das bênçãos materiais que o Senhor em Sua graça pode nos dar se compara a sublimidade de conhecer a Cristo intimamente e cada vez mais.
É claro, esse conhecimento não mera teoria. Não estou falando de apenas aprendermos mais verdades objetivas na Bíblia sobre o Senhor Jesus. Estou falando de, tendo este tipo de conhecimento, deixarmos que Ele cresça em nós e, assim, possamos dizer, por exemplo, “Eu posso perdoar porque Aquele que se tornou o meu Perdão vive e se manifesta em mim”. Ou, “Eu posso amar aqueles que são repulsivos porque o amor de Deus foi derramado em meu coração e transborda por meio dele, porque o Messias me inunda com Seu amor e não posso deixar de amar aos outros. Eu sei o que é verdadeiramente amar porque o amor de Jesus está em mim e flui através de mim”. Isso é conhecimento de primeira mão. Isso é a encarnação da verdade objetiva, o efeito prático da verdade em nossas vidas por meio da Palavra Viva, Jesus.
Assim, tendo por alvo maior conhecer a Jesus cada vez mais, nós permitimos que o Messias cresça em nós e nos tornemos uma expressão, uma manifestação, uma representação adequada de Jesus nesse mundo, pois isso, afinal de contas, é o que significa ser parte de Seu corpo, a Igreja.
Há muito mais sobre o que dizer sobre este tema, mas eu creio que vocês terão alguma coisa com a qual trabalhar por si mesmos. O mais importante não é quanto de conhecimento você tem sobre um assunto, mas o quanto você aplica em sua vida daquilo que você já conhece. Então, que a visão de Jesus como Messias não seja mais um conhecimento teórico, porém, muito mais do que isso, uma iluminação do Espírito que produza os efeitos transformadores esperados. E assim Deus será apropriadamente glorificado, em sua vida, na Igreja e no mundo, por meio de Cristo Jesus, nosso Senhor. A Ele toda a glória!