Princípios Saudáveis de Crescimento
Adaptado de uma mensagem dada à igreja em Mossoró-RN.
Vamos ler Lucas 9.10-17.
Aqui em Lucas nós temos, por analogia, alguns princípios importantes que, quando seriamente analisados e implementados, produzirão um crescimento saudável em qualquer igreja bíblica; Porém, não estamos falando de crescimento mediante técnicas de marketing e vendas, tão comuns nas igrejas evangélicas de hoje. Nós estamos tratando do ‘crescimento segundo Deus’ (Colossenses 2.18), o qual resulta em crescimento saudável em termos de quantidade e qualidade.
O Papel Da Igreja
Para que a Igreja cresça o crescimento segundo Deus, ela deve reexaminar o seu papel ou chamado. Por que a Igreja existe? Qual é a missão da Igreja neste mundo?
No versículo 11, nós encontramos Jesus acolhendo as multidões. O papel da Igreja é fazer a mesma coisa que Ele fez – acolher as multidões. Romanos 15.7 nos ensina como devemos aceitar ou acolher aos outros – como Deus em Cristo nos aceitou ou acolheu. Deus nos aceita em Jesus, não com base em nossos méritos pessoais, santidade e muito menos por nossa religiosidade. Será que, ao invés de estarmos acolhendo as pessoas, nós não estamos criando barreiras para que elas se acheguem a Deus? Será que o evangelho que pregamos são ‘boas novas’ para os quebrantados, feridos, falidos, viciados, mentirosos, adúlteros, os sem-teto, os sem-igreja e etc.? Ou será que estamos criando, cada vez mais, barreiras que bloqueiam o acesso à Fonte de Água viva?
Jesus acolheu a multidão, mas não ficou somente nisto. Ele pregou o Reino de Deus à multidão. O reino de Deus é o domínio, o senhorio de Deus em nossas vidas. É o Seu controle total sobre o que somos, temos e fazemos; sobre o nosso emprego e sobre os nossos relacionamentos.
Não devemos criar qualquer obstáculo ou regra para que as pessoas se acheguem a Deus; não devemos afastar as pessoas de Deus ou da igreja, mas devemos aceitá-las como elas são/estão. No entanto, não podemos parar por aí. Devemos mostrar-lhes o Reino de Deus.
O evangelho do reino é a boa notícia de que há provisão abundante através do Filho de Deus, Jesus Cristo, para tudo quanto realmente necessitamos. Nele nós temos perdão dos pecados, mas não somente isso. Nele nós também temos libertação
do poder do pecado em nossas vidas. Nele nós podemos ter uma vida transformada. A nossa primeira ação é aceitar as pessoas como elas são, com todos os seus pecados e paranóias, mas devemos avançar mostrando-lhes que elas podem ser perdoadas e que também podem receber libertação dos hábitos pecaminosos que as escravizam.
O Senhor também socorria os que tinham necessidade de cura. A cura, no sentido bíblico, não se restringe a solucionar os problemas de enfermidade física. A cura bíblica é integral, alcança o homem todo em toda a sua complexidade – espiritualmente, fisicamente, emocionalmente, socialmente, psicologicamente. O papel da Igreja, como representante do Senhor na terra, é oferecer cura integral para o homem todo.
A Omissão da Igreja
Após atender às necessidades das multidões, Jesus foi procurado por Seus discípulos, que lhe pediram para despedir a multidão, porque já era tarde e elas precisavam de alimento físico. Jesus, então, desafia os discípulos a darem de comer, eles mesmos, à multidão (v. 13). Os discípulos confessaram que eles não possuíam os recursos necessários para alimentar a multidão e que mandá-la embora fosse a melhor solução.
Muitas vezes, assim como aqueles discípulos de Jesus, olhando para nossas habilidades e recursos escassos – sejam espirituais, intelectuais ou materiais, podemos nos desculpar pela nossa omissão em acolher, alimentar e suprir as multidões. Muitas vezes preferimos que as pessoas resolvam seus próprios problemas e depois voltem para a igreja quando tudo estiver bem. Nós deixamos que as ONGs cuidem dos famintos, dos viciados, etc.
Esta desculpa – de que não temos condições de fazer mais para o Senhor e para as pessoas – nunca foi e nunca será aceita pelo Senhor. A Bíblia nos diz que nós realmente, em nós mesmos, não temos capacidade de fazer a grande tarefa que Ele nos deu. No entanto, a nossa suficiência vem de Deus (2 Coríntios 3.5-6)! Ele mesmo nos capacitou para sermos ministros da Sua nova aliança. Em Cristo, no poder do Espírito Santo, cheios de fé e obediência, permitindo que o Senhor nos oriente constantemente, podemos oferecer nossos cinco pães e dois peixes e, com certeza, o Senhor irá multiplicá-los. A questão é: estou disposto a deixar que Deus me use? Estou disposto a sair da mediocridade e deixar Deus me envolver com a Sua grandeza?
A Estratégia de Jesus
No versículo 14, o Senhor revela a Sua estratégia aos discípulos. Ele está a ponto de fazer um grande milagre, mas é preciso que haja uma estratégia para que, quando o milagre ocorrer, o mesmo possa ser plenamente aproveitado. Muitas vezes o Senhor está a ponto de multiplicar nossas igrejas, mas nós perdemos o que Ele está para fazer porque não tomamos as devidas providencias para receber o milagre da multiplicação de Deus. Lembre-se de que não
somos expectadores no Reino de Deus, mas os jogadores principais. Nós precisamos aceitar as estratégias de Deus para que Ele multiplique nossas igrejas.
A estratégia de Jesus foi dividir a multidão em pequenos grupos. Esta ainda é a estratégia de Jesus! A melhor maneira do Corpo de Cristo crescer em quantidade e qualidade, sem um fator obscurecer o outro, é edificá-lo através de pequenas igrejas caseiras distribuídas pela cidade. Se você quer edificar uma igreja local bíblica, você não pode fechar os olhos ao fato de que esta estratégia do Senhor conta com as bênçãos Dele. Veja o versículo 17, onde diz que todos comeram e se fartaram e ainda sobejaram doze cestos. Esse é o resultado de agir segundo a estratégia de Deus.
Jesus abençoou o alimento e deu aos Seus discípulos para que eles repartissem entre o povo. Jesus não trabalhava sozinho. Ele compartilhou o Seu milagre com os discípulos. De fato, alguns estudiosos dizem que o alimento se multiplicou nas mãos dos discípulos. Jesus sabia o que era trabalhar em equipe. Jesus sabia compartilhar o Seu ministério com os Seus discípulos.
Trabalhar com igrejas caseiras é um passo difícil para muitos líderes evangélicos porque eles não querem compartilhar o ministério. Mas precisamos lembrar o princípio de que aquele que preserva a sua vida irá perdê-la. Aplicando ao tema em questão, se você quiser permanecer no controle, você irá perdê-lo. Deixe Deus ficar no controle. Somente Ele! E compartilhe o seu ministério com outros e, principalmente, com a própria igreja. O papel do obreiro cristão – quer do presbítero, diácono, apóstolo, pastor-mestre, etc. – não é fazer tudo ou dar ordens. O nosso papel é guiar o povo, ajudá-lo a realizar a obra do ministério. O nosso papel é o de facilitador e preparador do rebanho de Deus. Isso não rouba a nossa autoridade, pelo contrário, a fortalece, pois esse tipo de autoridade é espiritual e funcional e o rebanho de Deus sabe reconhecer e valorizar isso.
Hoje é um dia quando nós podemos ouvir novamente a voz do Senhor nos mandando erguer os olhos e ver os campos brancos para a colheita (João 4.34-35). Hoje há uma oportunidade única para compartilhamos o evangelho da graça e do Reino com as multidões. Nós podemos ficar de braços cruzados e esperar, como fatalistas, que o mundo corra o seu curso; ou podemos nós, como parceiros de Jesus nos negócios do Reino do Pai, erguer os olhos, contemplar os campos brancos, usar a estratégia de Jesus e ceifar uma colheita de homens e mulheres dentre aqueles que clamam: “passou a época da colheita, acabou o verão, e não estamos salvos” (Jeremias 8.20).